MOVIMENTO ANTIVACINAÇÃO: UMA AMEAÇA À HUMANIDADE

Dayse Christina Rodrigues Pereira Luz, Júlia Gomes Sousa, Magda Oliveira da Silva, José Rafael Eduardo Campos

Resumo


O movimento antivacinação foi inserido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em seu relatório, como um dos dez maiores riscos à saúde mundial. Segundo a Organização, essa revolta é perigosa porque ameaça retroceder o progresso obtido no combate a doenças imunopreveníveis, como por exemplo a poliomielite e o sarampo. Esse problema, que cresce a cada ano, mobiliza pais e pessoas em geral, que não imunizam seus filhos e nem a si próprios, causando diminuição das coberturas vacinais, facilitando a porta de entrada para doenças ainda pouco conhecidas e pondo em risco a vida de outras pessoas.1

As razões pelas quais as pessoas optam por não se vacinar são diversas, afirmam que as vacinas não são seguras nem eficientes por causarem reações, apontam motivos religiosos, outros alegam que o período entre as vacinações infantis é muito curto e deveria ser mais espaçado, referem também que pode causar autismo nas crianças e há quem acredite que é um método de controle populacional utilizado pelo governo.2

As reações pós-vacinação são, ordinalmente, leves e temporárias, como dor no local da aplicação ou uma febre ligeira. Eventos adversos graves podem ocorrer, mas são extremamente raros. É mais provável que uma criança adoeça ou venha a óbito por enfermidades evitáveis pela imunização, como a meningite meningocócica, do que devido a uma reação à vacina. Sendo assim, os benefícios são superiores aos riscos que as mesmas podem causar. 3

De acordo com os dados do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde (PNI/MS), a meta de vacinar 95% do público-alvo não foi atingida nos últimos anos (2018-2017). Vacinas indispensáveis como a Tetra Viral, que previne o sarampo, caxumba, rubéola e varicela, teve o menor número de alcance, com um total de 70,69% em 2017. Especialistas em saúde pública afirmam que se a população brasileira aderisse adequadamente a vacinação, novos surtos

 

de sarampo e outras doenças erradicadas não se estabeleceriam no país, pois não faltam vacinas gratuitas.1,4

A vacinação está entre as principais conquistas da humanidade e representa o investimento em saúde com melhor custo-benefício para combater as doenças infecciosas que ameaçaram a humanidade durante séculos. Atualmente previne cerca de 2 a 3 milhões de óbitos por ano, e se a cobertura vacinal fosse bem sucedida a nível mundial, poderiam ser evitadas mais 1,5 milhão de mortes. Com a fabricação das vacinas, durante muitos anos, foi possível erradicar doenças como a varíola, foi possível a eliminação da rubéola nas Américas no ano de 2015 e até mesmo o sarampo em 2016. Porém diante das campanhas contra a imunização, houve um retrocesso dessas conquistas, que desencadeou novos surtos de sarampo desde 2018.5

Além de preservar vidas, esses imunobiológicos possibilitaram um aumento de cerca de 30 anos na expectativa de vida da humanidade, propiciaram redução de internações e diminuição do custo relacionado ao adoecimento por patologias imunopreveníveis. Para que esses resultados positivos se perpetuem, é necessário que haja uma maior alcançabilidade e participação da população.6

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos advertiu que se essa campanha antivacina não for contida, o índice de crianças que podem adoecer, adquirir sequelas irreversíveis e evoluir a óbito, crescerá cada vez mais. Além disso, quando uma população deixa de ser vacinada, possibilita a circulação de agentes infecciosos comprometendo não só os adeptos a campanha, mas a população como um todo, culminando em impacto na saúde, sociedade e economia em geral.7

A importância, segurança e eficácia da imunização é incontestável, porém deve ser divulgada com mais frequência, atingindo o maior número de pessoas possível, de forma clara e dinâmica, facilitando o entendimento da população acerca dos benefícios e malefícios da não vacinação. Para enfrentar o problema e minimizar esses movimentos antivacinação, também é necessário um maior empenho dos profissionais de saúde, para criar rodas de conversa, palestras e capacitações, sanar dúvidas e fornecer informações verídicas sobre esses imunobiológicos, estabelecendo vínculo com a população e estimulando a adesão à prática.


Palavras-chave


Vacina. Promoção da saúde. Humanidade

Texto completo:

Inglês Português

Referências


SBMT, Sociedade Brasileira de Medicina Tropical: Movimento antivacina é uma das dez ameaças para a saúde mundial. 11 abr. 2019. Disponível em < https://www.sbmt.org.br/portal/anti-vaccine-movement-is-one-of-the-ten-threats-to-global-health/> Acesso em: 24 set. 2019.

MARTINS, E.: A nova revolta da vacina. Época. 20 set. 2019. Disponível em < https://epoca.globo.com/brasil/a-nova-revolta-da-vacina-23960872> Acesso em: 24 set. 2019.

Hoje em Dia: a relutância em vacinar: Porque todos devem combate-la? 22 abr. 2019. Disponível em < https://www.hojeemdia.com.br/opini%C3%A3o/blogs/opini%C3%A3o-1.363900/a-relut%C3%A2ncia-em-vacinar-por-que-todos-devem-combat%C3%AA-la-1.708676> Acesso em: 24 set. 2019.

SAITA, H. S.; PINA, P. C.: OS MOVIMENTOS ANTIVACINAIS E A RECUSA DAS VACINAS: Uma Revisão Integrativa. Porto Velho, 2019. Disponível em < http://repositorio.saolucas.edu.br:8080/xmlui/bitstream/handle/123456789/3176/Hanae%20Santos%20Saita%20-%20Os%20movimentos%20antivacinais%20e%20a%20recusa%20das%20vacinas%20uma%20revis%C3%A3o%20integrativa.pdf?sequence=1> Acesso em: 24 set. 2019.

VEJA: OMS considera movimento antivacina uma ameaça à saúde mundial. 17 jan. 2019. Disponível em Acesso em: 24 set. 2019.

SUCCI, R. C. M.: Recusa vacinal – O que é preciso saber. J. Pediatr. (Rio J.), Porto Alegre, v. 94, n. 6, p. 574-581, dezembro de 2018. Disponível em . Acesso em: 24 set. 2019. http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2018.01.008.

BRASIL, Ministério da Saúde: Não vacinar pode causar impactos sociais e econômicos. Blog da saúde. 05 abr. 2019 Disponível em < http://www.blog.saude.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=53836&catid=564&Itemid=50022> Acesso em: 24 set. 2019.




DOI: http://dx.doi.org/10.19095/rec.v7i2.885

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