AUTOMEDICAÇÃO DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19

Carla Yasmin Alves Batista Silva, Anna Karollayne Bezerra Ponciano, Dayse Christina Rodrigues Pereira Luz

Resumo


Em 2019, com a eclosão da Síndrome Respiratória ocasionada pelo Novo Coronavírus chamado SARS-CoV-2, foi instalado o isolamento social como uma forma preventiva à contaminação de mais pessoas. Contudo, tal afastamento gerou impactos às saúdes física e, principalmente, psicológica dos cidadãos, que distantes da rotina e diante da intensa propagação midiática acerca da doença, sofreram intensas mudanças emocionais e recorreram à  automedicação, tanto para controle das modificações psicológicas, quanto para tentar minimizar os impactos sintomáticos da Covid-19.¹ Prática que segundo dados de  2019 do Conselho federal de Farmácia, é comum a 77% dos brasileiros.²

            Em flâmula, no atual momento de confinamento, a intensa veiculação de informações, inclusive das Fake News, tem intensificado a busca por fármacos, e nesse ínterim, surge a atração pela possibilidade de que algumas drogas já existentes sejam eficientes para o tratamento da Covid-19. Face a isto, os estudos acerca do uso da cloroquina, da hidroxicloroquina associada à azitromicina e da ivermectina. Para mais, ressalta-se também o aumento da utilização de ansiolíticos, e outros medicamentos para alívio da tensão resultante da quarentena.2,3

        Sob esse viés, nos primeiros estudos experimentais realizados com a cloroquina, constatou-se que ela poderia ser um possível aliado na luta contra a citada síndrome respiratória. Contudo, em estudos mais recentes, constataram-se diversas complicações, dentre elas, hepáticas e cardíacas conferidas ao paciente. Ademais, a ivermectina, em estudo indiano demonstrou-se eficaz na inibição da replicação viral do SARS- CoV-2, diminuindo-a em aproximadamente 5000 vezes, em um período de 48 horas.4 Outrossim, em outras experimentações, percebeu-se que a quantidade efetiva para causar esse efeito inibidor é muito maior que a dose máxima recomendada para humanos, e como a ivermectina é neurotóxica, os prejuízos nervosos e cerebrais não compensariam seu uso, comprovando novamente o risco de, nesse caso, se automedicar.5,6

            Mormente, muitas pessoas estão fazendo uso de vitaminas para aumentar a imunidade e, dessa forma, houve uma elevação exorbitante da venda dessas substâncias.  Segundo o levantamento realizado pela consultoria IQVIA, houve aumento de 180% nas vendas de vitamina C. Sob esse prisma, o seu uso prolongado pode causar, problemas renais, gastrointestinais, dentre outros. De modo geral, apesar de vitaminas parecerem inofensivas, seu excesso pode interagir com outras drogas e causar danos. Ademais, assim como toda medicação, é necessário um veemente acompanhamento médico, e há restrições para alguns pacientes.2

Destarte, evidencia-se que a automedicação é um hábito no Brasil, sendo ele preocupante em qualquer época, mas que por conta do pânico instalado pelo isolamento social e pela veiculação de notícias infelizes acentuou-se significativamente. Dessa forma, tornam-se necessárias políticas públicas que diminuam o consumo dessas drogas, que no geral, podem acabar fortalecendo a estrutura viral ou causando complicações nos indivíduos que delas fizerem uso, ao invés de imunizá-los.

           

 


Palavras-chave


Automedicação; Pandemia; Covid-19.

Texto completo:

Português Inglês

Referências


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https://www.ictq.com.br/varejo-farmaceutico/1552-covid-19-aumenta-venda-de-ansioliticos-medicamentos-para-insonia-e-vitaminas . Acessado em: [04/11/2020].

Almeida J; Automedicação: conheça os riscos de tomar remédio por conta própria;

EUAtleta- São Paulo; 02/04/2020. Disponível em: https://globoesporte.globo.com/eu-atleta/saude/noticia/automedicacao-conheca-os-riscos-de-tomar-remedio-por-conta-propria.ghtml .

Molento MB. COVID-19 e a corrida para a automedicação e a autoadministração de ivermectina: uma palavra de cautela. Revista One Health, v. 10; 2020.

Lopes JGA, Santos DF, Cabral HR, Júnior PRS, Silva AA, Moura YS, et al. Ivermectina como possível aliado no tratamento da COVID-19: perspectivas acerca de sua ação antiviral. Research, Society and Development, v. 9; 2020; 100148.

Marra LP, Junior HAO, Medeiros FC, Brito GV, Matuoka JY, Parreira PCS, et al. Ivermectina para Covid-19. Revisão sistemática rápida. Oswaldo Cruz Inovação, Pesquisa e Educação. Revisão Sistemática Rápida. Disponível em: https://oxfordbrasilebm.com/index.php/2020/05/07/ivermectina-para-o-tratamento-de-pacientes-com-covid-19-revisao-sistematica-rapida2/. Acessado em [04/11/2020].




DOI: http://dx.doi.org/10.19095/rec.v8i2.967

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