A ENFERMAGEM NO PROCESSO DE DOAÇÃO DE ÓRGÃOS: PROGRESSOS E DESAFIOS DESSA PRÁTICA

Larissa Alexandre Leite, Maria Isadora Silva Santos, Mayza Ermelinda Arrais, Thuila Dantas Barros Couto de Lima, Dayse Christina Rodrigues Pereira Luz

Resumo


Vista como uma das únicas alternativas de terapia para pacientes com alguma patologia que interrompa o funcionamento de órgãos essenciais à vida, o processo de doação e transplante de órgãos é uma realidade que pode ajudar a prolongar a vida daqueles pacientes que mais necessitam1,2. Sob essa ótica, a equipe de enfermagem exerce importantes papéis nesse vasto campo, sendo estes desde prestar atendimento qualificado ao paciente e sua família, projetar ações que possam mudar os pensamentos sobre o processo de sua equipe, dessa forma, humanizando a assistência à família do doador, aumentando o nível de doações e salvando cada vez mais vidas3. Entretanto, mesmo com diversos tipos de campanhas em prol desse belíssimo ato, os níveis de recusa entre as famílias dos pacientes com morte encefálica continuam altos e diversos fatores são os responsáveis. É necessário que medidas sejam tomadas para melhorar os índices e zerar as filas de espera existentes em todo o país.

            Portanto, a enfermagem é um dos mediadores de maior importância no contato entre as partes envolvidas no processo de doação de órgãos, uma vez, que possui a função de auxiliar na tomada de decisão entre a aceita ou recusa da doação de órgãos entre a família do possível doador4,5. De acordo com a resolução COFEN Nº 611/2019, que normatiza a atuação da enfermagem no processo de doação de órgãos e tecidos para transplante, assim, cabe a equipe de enfermagem os cuidados com o doador e receptor no pré operatório do transplante de órgãos e tecidos6. Além de suas atribuições laborais do cuidar, o enfermeiro também pode atuar como agente interventor, educador em sua própria comunidade e espaço de trabalho. Dessa forma, corroborando para que a população tenha conhecimento sobre a temática ainda pouco discutida.

            Outrossim, mesmo que essa prática se mostre bastante eficaz, ainda existem diversos dilemas que são enfrentados durante o processo da captação e efetivação da doação e consequentemente, o transplante.  A esse respeito é válido ressaltar a negativa da família como sendo um dos principais empecilhos pelo qual a doação de órgãos não acontece no Brasil, pois recusam a doação de órgãos de seus parentes após morte encefálica comprovada, totalizando 43% das famílias segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO)7,8 . Sob esse viés, o Ministério da Saúde, em 2018, ressalta que das 6.476 entrevistas familiares para autorização de doação, houve 2.716 negativas, o que representa 42%9. Estudos também demonstram além da alta taxa da negativa familiar, questões como a própria contraindicação médica, casos de parada cardiorespiratória, sorologia positiva e a não conclusão do protocolo de morte encefálica também são primordiais para que aquele órgão seja de fato doado10.

            É perceptível a grande contribuição da equipe de enfermagem nesse cenário, uma vez, que esses profissionais desempenham funções importantes que vão desde atendimento a família do doador até o processo de captação de órgãos e tecidos, bem como a manutenção do doador, assim, mantendo os níveis desejáveis para que o paciente diagnosticado com morte encefálica não tenha agravos em seu quadro possibilitando uma possível doação de órgãos. Entretanto, percebe-se que ainda existem inúmeros empecilhos em relação ao processo de doação de órgãos que precisam ser reavaliados, tendo em vista, que uma maior difusão de informações para que a família mesmo em seu processo de luto pela perda de seu ente possa colaborar com a continuidade da vida de outra pessoa beneficiada com o órgão.


Palavras-chave


Enfermagem; Doação de órgãos.Vida.

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.19095/rec.v8i2.968

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