SÍNDROME DE BURNOUT: DIA A DIA DE ENFERMEIROS EMERGENCISTAS NA ERA DA COVID-19

Maria Karoline de Moura Lobo, Marivânia Monteiro Alves, Vitória Hellen Caetano da Silva, Dayse Christina Rodrigues Pereira Luz

Resumo


A síndrome de Burnout é um distúrbio emocional que se caracteriza por indícios como depressão, esgotamento físico e mental, sentimento de incapacidade e até pensamentos suicidas. Retratada em vários longas como Tempos Modernos, protagonizado por Charlie Chaplin, a doença mostra-se presente em rotinas de enfermeiros emergencistas. Esse empecilho, manifesta progressivamente a cada ano resultando em profissionais esgotados, sem ânimo para um atendimento qualificado e aparecimento do estágio de depressão.1

Diante do exposto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças.2  Posteriormente, tem-se a síndrome de Burnout  sendo caracterizada pelo esgotamento físico e mental do indivíduo e ocorrendo de forma rotineira  na vida de profissionais de enfermagem, especialmente os que atuam na urgência e emergência, visto que  o trabalho desenvolvido nessa área possui particularidades específicas  que podem ocasionar a síndrome em questão. Destacam-se alguns exemplos, como a grande quantidade de pacientes a serem atendidos que necessitam de uma maior agilidade na realização das ações, atuação sob pressão, carga horária elevada, dentre outras adversidades. Em síntese, constata-se o alto risco de obtenção dessa síndrome pelos profissionais citados conforme é afirmado em pesquisas sendo mais habitual no campo da Enfermagem do que em outras áreas da saúde.3

Nesse hiato, o contexto da primeira Revolução Industrial como mencionado anteriormente tem relação com a síndrome, uma vez que os operários ao saírem das fábricas de tanto realizarem movimentos repetitivos ao longo do dia desenvolveram indícios da síndrome de Burnout. Sob o mesmo ponto de vista, a situação dos indivíduos que trabalhavam nas fábricas era lamentável, visto que a carga horária era extremamente elevada chegando a cerca de 16 ou 18 horas diariamente. Hodiernamente, constatam-se mudanças significativas no campo do trabalho principalmente no que diz respeito aos direitos humanos. Em virtude, de grandes avanços e dessa forma a pressão sobre os profissionais para obtenção de um bom desempenho é aumentada. Nesse sentido, desencadeando problemas mentais e físicos devido as dificuldades no meio ocupacional.4

Em suma, para a realização de um bom trabalho é necessário que o profissional esteja bem tanto psicologicamente como fisicamente. Porém, na maioria dos casos não estando presente o bem estar ao observar os altos níveis de estresse, dificuldades interpessoais, desmotivação, doenças físicas e outros problemas enfrentados por enfermeiros emergencistas. Ademais, acarreta-se o comprometimento de um bom desempenho e desenvolvimento de riscos ao cuidado com o paciente evidencia-se, que está síndrome é conhecida como risco ocupacional para profissões que detém cuidados com a saúde.5   

Nesse ínterim, é retratado na obra “Freud, pensador da cultura” o conceito de cultura do sucesso, desenvolvido pelo filósofo e psicanalista Sigmund Freud, segundo o qual o homem moderno deve ter êxito em todas as tarefas que realiza. Contudo, transtornos psicológicos em enfermeiros, especializados em urgência e emergência mostram-se preocupantes devido ao aumento de sua prevalência e altos custos sociais. De acordo com a pesquisa, “Riscos ocupacionais evidenciados nos profissionais de enfermagem inseridos nas unidades de urgência e emergência”, dos escritores Florêncio FC, et al.6 cenário de inadequação das condições de trabalho, caracterizado pela superlotação, ritmo acelerado e sobrecarga de trabalho têm efeitos adversos como o estágio de avanço da síndrome de Burnout que no caso é a depressão. Desse modo, enquanto a entrave denunciada por Freud for negligenciada, esse grave transtorno mental tenderá a se perpetuar lamentavelmente agravando ainda mais essa problemática.7

Precipuamente, no processo de trabalho os fatores que propiciam a promoção e prevenção da saúde dos trabalhadores, são segurança e saúde no ambiente físico do serviço, saúde e bem-estar no ambiente psicossocial do ofício, recursos para a saúde pessoal no ambiente de ocupação profissional e o envolvimento da empresa na comunidade para melhorar a saúde dos trabalhadores como bem entrelaça os artigos “Saúde mental e a relação entre qualidade de vida e ambiente de trabalho” e “Síndrome de Burnout uma correlação com o ambiente de trabalho: uma revisão de literatura”. No entanto, a inércia no cumprimento dessas recomendações destacadas influencia em um maior índice desses profissionais de Enfermagem acometidos pela Síndrome de Burnout. Assim, enquanto não houver uma realização dessas recomendações por substancial parcela de órgãos envolvidos com a saúde desses trabalhadores a síndrome continuará perene e acometendo ainda mais profissionais.8,9

Em face do exposto, entende-se que a Síndrome de Burnout refere-se a quadros críticos de estresse crônico e exaustão emocional que geram consequências negativas para o profissional como a diminuição da produção e qualidade do trabalho. Outrossim, é necessário estar atento, pois é muito frequente o profissional não perceber que está doente e confundir com outras doenças agravando assim seu quadro. Em tal caso, é importante ficar alerta às três dimensões do conceito da síndrome que são a exaustão emocional, a despersonalização e a falta de envolvimento no trabalho ou diminuição da realização profissional, dado que estes são os principais sinais de seu acometimento.10

Similarmente, o tratamento consiste em acompanhamento profissional, afastamento do paciente de seu ambiente de trabalho e caso necessário o uso de fármacos específicos. Urge, pois, práticas de hobbys que deem ao paciente a sensação de satisfação e prazer. Além da realização de atividades físicas que mantenha uma alimentação saudável recomendado por especialistas. Enfatiza-se, que as empresas devem adequar o ambiente e a cultura de trabalho com ações educativas e terapêuticas no âmbito individual, grupal, social e organizacional visando a prevenção da síndrome.10


Palavras-chave


Síndrome de Burnout; Enfermagem;

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.19095/rec.v8i2.969

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